31 de ago. de 2011

Escrutínios de final de semana

Você levanta, ainda com a cara amassada do soninho extra e segue semi-sonâmbulo para auxiliar na maratona de xícaras, pratos, facas, queijos, café e leite que hoje não vão sozinhos para a mesa. Torradeira em baixo do braço, se senta e depois de recheá-la, dá início a uma refeição matinal mais folgada, com conversa, quitutes extras e o conforto do seu pijama.

Duas espreguiçadas depois a maratona recomeça para devolver tudo a seus lugares. Elege, então, a tarefa de pôr a louça na máquina. (Aqui em casa, é a melhor funcionária: não retruca, não tem FGTS e não falta nunca!) Ao limpar os excessos de dejetos e migalhas slurshhhh........ quem foi o filha da puta que deixou um pote INTEIRO de manteiga no prato!?!?

Tai um bom jeito de começar o dia, filosofando sobre os hábitos alimentares da espécie.

1 de jun. de 2011

Continuando... "Você tem que ser parceiro parte 2"

II FERRAMENTAS, ESPECIALISTAS E PADRONIZAÇÃO DE MÉTODOS

Parceiro que é camarada entra no esquema organizacional, afinal não nomear o arquivo em caixa alta tracinho, a data tracinho, o que tracinho, de quem, fará com que o conteúdo do arquivo seja um mistério, afinal se ele veio num mail de assunto: "foto da dona Carmem", e a extensão é jpg, existe 95% de chance da imagem ser de um elefante equilibrista com guarda-chuvinha lilás.

Organizar pastas é uma coisa muito pessoal, o resultado pode ficar terrivelmente comprometido se um usar a nomenclatura leva 4 e o outro etapa 4. “Ah... com esse nome eu não vi”. Isso é um atravanco na produtividade sem tamanho, depois estas pessoas ainda retornam com frases feitas: “Isso não é produtivo” ou “eu tomei a iniciativa”em mails copiados para metade da torcida do Grajaú. Se você tivesse alguma iniciativa, meu caro profissional da onça, teria aberto a pasta que recebeu, dado uma olhada nos arquivos e feito o trabalho – isso sim seria produtivo!!!

11 de mai. de 2011

Você tem que ser parceiro

Quantas vezes você ouviu esta frase nos últimos 5 anos? O relaxamento de alguns ambientes de trabalho trouxe essa noção de parceria para quebrar o estigma de cliente/patrão/chefe. O que acontece é que, como diria o juiz comentarista: a regra era clara. ‘Parceiro’, vulgo macaco gordo cativo, geralmente escuta isso quando precisa fazer um preço camarada, e é gentilmente convidado a investir no ‘negócio comigo’, ficando implícito que o lucro é um sujeito oculto e indeterminado que nunca será apresentado a você.

I. SEM CONFIRMAÇÃO DE ENVIO NEM DE ENTENDIMENTO

A comunicação online trouxe grandes benefícios e agilidades, mas o advento dos smartfones chegou com a sugestão nada sutil de que se você pode estar conectado 24 horas. Portanto, o seu parceirão vai assumir que se não está, é porque não quer... Os e-mails vieram como uma evolução, mas trouxeram à tona a deficiência de leitura e interpretação de texto de boa parte da população. Sabe aquele pessoal que não tem paciência para ler piadinha, não adianta nem mandar? Pois é, eles também têm preguiça de ler o mails de trabalho, dão uma zapeada, buscam
uma ou outra palavra sem ler até o fim e respondem propagando o telefone sem fio, digo, a carta wireless do criolo doido. Falando em telefone, essa era uma ferramenta mais útil para estas pessoas, evidenciavam na lata e em bom som a problemática do ruído na mensagem. Elas tinham entonação, 'bem'.


Hoje qualquer solicitação deve ser feita por e-mail,mas para algumas coisas, o que funciona mesmo é o bom e velho telefone. Você liga, solicita e ouve: “Você pode me passar isso por e-mail?” Pronto, já sabe que ninguém vai dar bola pro que precisa nas próximas 48 horas. Da próxima vez manda só o mail. Tampouco resolve. E-mail funciona para fora do país, os gringos são uma beleza, tardam no fuso horário mas não falham e por aqui o povo insiste num preciosismo danado e desmedido.

aguarde dramas corporativos dos próximos capítulos...





6 de abr. de 2011

Sexy bed

Como vivo fuçando por aí a trabalho, sempre que acho algo que me lembra um amigo mando na mesma hora um mail com um linkzinho. E esse superfofo que mandei pro pessoal da Hope ganhou até crédito! Adoreeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiii!!! vai lá: Loucas por lingerie

23 de mar. de 2011

Arrastão

Hoje acordei com a sensação de que estava sendo engolida. Não. Não foi pesadelo, porque a impressão permaneceu comigo quando já estava de olhos abertos. (ou quase... não sou uma pessoa matinal) O que está me sufocando é um emaranhado de fios numa era do wireless, aos 30 e poucos anos, é a tecnologia que está me engolfando.

Quando penso que faço parte de uma geração que achava o máximo uma tela com cursor piscando em verde, um disquete do tamanho de uma frigideira de ovos estalados e fita k7... O mundo andou muito rápido nas últimas décadas e esta virada está mexendo muito mais profundamente com nosso comportamento do que sequer temos tempo de imaginar. Qual a minha surpresa quando me deparei com a coluna de Luli Radfahrer, “O mundo híbrido” que degustei junto ao meu café preto e vi: opa... não sou só eu...

“Boa parte da ansiedade em que se vive hoje vem de uma mudança de comportamento abrangente e silenciosa, que surgiu nas mídias sociais e se misturou a outras regras de convívio.”

A chamada do caderno de tecnologia da Folha hoje é o aniversário do Twitter, mas o que chama atenção mesmo é a parte ‘retrô’ que permeia todas as páginas e fala dos estranhamentos dos usuários de novas interfaces de seus programas favoritos. De como tudo fica obsoleto rápido demais, de como as versões beta nascem e morrem, sem necessariamente chegarem a vida adulta. De como já não dá mais tempo de se acostumar com as alterações e atualizações. É só você se apegar, deixar redondinho que ela muda outra vez. Estamos sempre como o coelho branco, atrasados. Nem precisa checar o relógio, vai nos atrasar ainda mais.

“Outras mudanças como a crescente acessibilidade e disponibilidade, são ainda mais agressivas (...) Plantas têm períodos férteis, todos precisam descansar uma parte do dia e nem as crianças mais mimadas das gerações anteriores acreditariam em um mundo sempre ligado, próximo e prestativo. Hoje, porém, é quase um crime estar indisponível. Todos precisam estar sempre prontos, quaisquer que sejam as condições. As vendas de Viagra que o digam.”


A coluna dá muito pano para manga, permite detalhamentos em muitos aspectos... Mas pulo para outra página: “Artista britânica desenha novidades e pinta usando máquinas de escrever.” (Desenha novidades... o que isso quer dizer? Que ela é uma artista criativa e original?!) Enfim, Keira Rathborne se vale de marcas e modelos clássicos (que ela designa vintage typewriters) como Smith Corona, Olivetti e Remington para compor obras com caracteres. Gente, a criativa em questão tem 27 anos! O que a destaca entre seus contemporâneos é justamente desenvolver arte offline. “Há uma nostalgia enorme (...) para todos além de certa idade. Algumas pessoas têm um apego muito romântico a elas”.

Se isso não é um jeito fofo de dizer que as pessoas sentem saudade de um tempo em que conseguiam acompanhar as mudanças, o que mais seria?





Texto do Luli na íntegra

www.keirarathbone.com/