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15 de ago. de 2013

Penso logo existo. Vivo, logo não posto.


Complementando o raciocínio dos posts anteriores em que penso logo existo,  vivo, logo não posto, uma das melhores tirinhas dos últimos tempos onde  um bonequinho de palitos pergunta ao outro:
-       vc tem face?  - não.
-       tt? – não.
-       Instagram? – não
-       Porra, c tem o que então?!  - Vida!
-       Cara!!! Me manda q to precisando no Candy Crush!!!

Desapareço pq acho que tenho uma vida e me esqueço do blog... Tipo descubro várias coisas bacanas e fico me achando toda cool hunter. Bem egoísta de minha parte não compartilhar, mas com tanta coisa por aí e tanta customização, banalização e gosto ruim, fica duro saber se a gente está sendo bacana ou se está lotando os feeds alheios.

De qual conteúdo se alimentar com tantos feeds insossos por aí?!
  
Hoje mesmo estava saracoteando pela web e fui parar no Digestivo Cultural e parei no meio da leitura pra rir um pouco com o Felipe Neto. Me lembrava do vídeo do Crepúsculo e na hora sabia que ele tinha que ter feito um dos 50 Tons de Cinza. Mocinhas inseguras, sem sal x príncipes encantados lindos e milionários com problemas sexuais... (um não queria nem a pau e o outro só queria descendo o pau) Certeza que tinha um vídeo crônica maligna cheio de palavrões para eu me deleitar.
Não deu outra! http://youtu.be/cbPOnKzQIj0

Gente! Se a onda de best-sellers de auto-ajuda passou e agora o que vende são os livros de contos de fadas doidonas em LSD para mulheres inseguras, qual será a próxima leva?!


PS.: Eu li. Todos os Crepúsculo e todos os 150 tons de cinza. Mesmo chupando a história do Vampire Diaries (que li tb para poder falar... bom pelo menos até a mocinha ex- humana, ex-vampira e ex-morta virar um ser de luz e ressuscitar) a S. Meyer  consegue entreter melhor. Depois da gravata e do chicote o Sr. Grey começa a ficar um paranóico dominador-perseguidor sem imaginação. Os truques acabam e o pornô pra mina fica bem mimimi...

23 de mar. de 2011

Arrastão

Hoje acordei com a sensação de que estava sendo engolida. Não. Não foi pesadelo, porque a impressão permaneceu comigo quando já estava de olhos abertos. (ou quase... não sou uma pessoa matinal) O que está me sufocando é um emaranhado de fios numa era do wireless, aos 30 e poucos anos, é a tecnologia que está me engolfando.

Quando penso que faço parte de uma geração que achava o máximo uma tela com cursor piscando em verde, um disquete do tamanho de uma frigideira de ovos estalados e fita k7... O mundo andou muito rápido nas últimas décadas e esta virada está mexendo muito mais profundamente com nosso comportamento do que sequer temos tempo de imaginar. Qual a minha surpresa quando me deparei com a coluna de Luli Radfahrer, “O mundo híbrido” que degustei junto ao meu café preto e vi: opa... não sou só eu...

“Boa parte da ansiedade em que se vive hoje vem de uma mudança de comportamento abrangente e silenciosa, que surgiu nas mídias sociais e se misturou a outras regras de convívio.”

A chamada do caderno de tecnologia da Folha hoje é o aniversário do Twitter, mas o que chama atenção mesmo é a parte ‘retrô’ que permeia todas as páginas e fala dos estranhamentos dos usuários de novas interfaces de seus programas favoritos. De como tudo fica obsoleto rápido demais, de como as versões beta nascem e morrem, sem necessariamente chegarem a vida adulta. De como já não dá mais tempo de se acostumar com as alterações e atualizações. É só você se apegar, deixar redondinho que ela muda outra vez. Estamos sempre como o coelho branco, atrasados. Nem precisa checar o relógio, vai nos atrasar ainda mais.

“Outras mudanças como a crescente acessibilidade e disponibilidade, são ainda mais agressivas (...) Plantas têm períodos férteis, todos precisam descansar uma parte do dia e nem as crianças mais mimadas das gerações anteriores acreditariam em um mundo sempre ligado, próximo e prestativo. Hoje, porém, é quase um crime estar indisponível. Todos precisam estar sempre prontos, quaisquer que sejam as condições. As vendas de Viagra que o digam.”


A coluna dá muito pano para manga, permite detalhamentos em muitos aspectos... Mas pulo para outra página: “Artista britânica desenha novidades e pinta usando máquinas de escrever.” (Desenha novidades... o que isso quer dizer? Que ela é uma artista criativa e original?!) Enfim, Keira Rathborne se vale de marcas e modelos clássicos (que ela designa vintage typewriters) como Smith Corona, Olivetti e Remington para compor obras com caracteres. Gente, a criativa em questão tem 27 anos! O que a destaca entre seus contemporâneos é justamente desenvolver arte offline. “Há uma nostalgia enorme (...) para todos além de certa idade. Algumas pessoas têm um apego muito romântico a elas”.

Se isso não é um jeito fofo de dizer que as pessoas sentem saudade de um tempo em que conseguiam acompanhar as mudanças, o que mais seria?





Texto do Luli na íntegra

www.keirarathbone.com/