Infiel
Quem trai mais, o homem ou a mulher?
As porcentagens antes muito distintas estão se aproximando. O resultado de uma pesquisa com 1279 pessoas feita pela antropóloga Mirian Goldberg reunidas no livro Infiel de 2004, dizem que 60% dos homens trai, enquanto que 47% das mulheres o fazem. Será que eles sempre fizeram e simplesmente não contavam? Com mais independência a mulherada não precisa mais se esconder e nem se envergonhar???
A peça Trair e Coçar... está em cartaz há 21 anos (a peça de Marcos Caruso entrou para o livro dos recordes pelo feito!) As novelas, livros e filmes não se cansam de retratar o tema... Não custava revisitar: Post sobre traição e infidelidade no que se dani...
Versos Íntimos
Augusto dos Anjos
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija! "
18 de fev. de 2008
14 de fev. de 2008
Folia – lado b
Festa, evento, show... O que é o Carnaval atualmente? Sim, porque é muito mais do que uma manifestação popular de música e dança, muito mais do que foliões fantasiados cantando e jogando serpentinas – aliás, a serpentina já é mais famosa por ser o tubo condutor que gela o chope e o confeti por ser um doce colorido com chocolate. De festa popular a espetáculo empresariado. Será que estamos privatizando o feriado ou globalizando sua estrutura para melhor atender aos conglomerados do entretenimento?
Posso estar exagerando, mas a amostra que vi pela TV este ano foi chocante. Alas e mais alas coreografadas, lindo, simplesmente lindo, mas de uma espontaneidade zero. As pessoas cantavam o samba em meio ao um-dois-três-e-quatro, cinco-seis-sete-e-oito... Outra coisa que chamou atenção foi a diferença feita pelo televisionamento entre RIO e SP, além de dar para ver essa diferença de propostas - em SP, um carnaval de avenida mostrado como menos evoluído, os integrantes brincavam e pulavam livremente - os efeitos especiais, as tomadas, os comentários, tudo leva a apresentação da capital carioca a propagar o que já acontece no universo das novelas.
Não vai surgir um carnaval minissérie? Estou à espera.
Enquanto isso fica que nem Tostines: aparece mais porque tem mais celebridade ou tem mais celebridade porque aparece mais?
Manifestações populares são coloridas e alegres em todos os lugares e seus defeitos e qualidades podem sim ser ampliados pelas “lentes” de quem vê. As lentes que magnificam os cachês das celebridades instantâneas e invadem a festa dos artistas. Um Carnaval que vende. Cotas de patrocínio, cervejas, revistas, jornais... Nas bancas as mulatas corpulentas, os decotes das atrizes, os deslizes dos cantores e não mais os cds de marchinhas, os colares de flores, a purpurina... a menina vestida de bailarina, o garoto de pirata...
Quem a Ivete vai agarrar este ano? Qual bloco terá mais pegação? Em Salvador se mostra a diversidade: samba, axé, frevo, forró, eletrônica, todos os ritmos misturados conferem ânimo a quem vai atrás do bloco ou atrás do abadá pro camarote, mas desconfigura um pouco a proposta inicial. O pitoresco rende-se ao que atende a maioria. A cultura engole sem mastigar novas referências e se transforma. Tenho um certo receio por ela, que não deixará de existir, mas terá sua alma diluída, digitalizada e distribuída. Que nem confeti...
Posso estar exagerando, mas a amostra que vi pela TV este ano foi chocante. Alas e mais alas coreografadas, lindo, simplesmente lindo, mas de uma espontaneidade zero. As pessoas cantavam o samba em meio ao um-dois-três-e-quatro, cinco-seis-sete-e-oito... Outra coisa que chamou atenção foi a diferença feita pelo televisionamento entre RIO e SP, além de dar para ver essa diferença de propostas - em SP, um carnaval de avenida mostrado como menos evoluído, os integrantes brincavam e pulavam livremente - os efeitos especiais, as tomadas, os comentários, tudo leva a apresentação da capital carioca a propagar o que já acontece no universo das novelas.
Não vai surgir um carnaval minissérie? Estou à espera.
Enquanto isso fica que nem Tostines: aparece mais porque tem mais celebridade ou tem mais celebridade porque aparece mais?
Manifestações populares são coloridas e alegres em todos os lugares e seus defeitos e qualidades podem sim ser ampliados pelas “lentes” de quem vê. As lentes que magnificam os cachês das celebridades instantâneas e invadem a festa dos artistas. Um Carnaval que vende. Cotas de patrocínio, cervejas, revistas, jornais... Nas bancas as mulatas corpulentas, os decotes das atrizes, os deslizes dos cantores e não mais os cds de marchinhas, os colares de flores, a purpurina... a menina vestida de bailarina, o garoto de pirata...
Quem a Ivete vai agarrar este ano? Qual bloco terá mais pegação? Em Salvador se mostra a diversidade: samba, axé, frevo, forró, eletrônica, todos os ritmos misturados conferem ânimo a quem vai atrás do bloco ou atrás do abadá pro camarote, mas desconfigura um pouco a proposta inicial. O pitoresco rende-se ao que atende a maioria. A cultura engole sem mastigar novas referências e se transforma. Tenho um certo receio por ela, que não deixará de existir, mas terá sua alma diluída, digitalizada e distribuída. Que nem confeti...
30 de jan. de 2008
Todos os lados da moeda
São todos(as) iguais, só mudam de endereço. Você pensou em que? Homens? Mulheres? Mães? Este dito popular se aplica a muitos exemplos, personifica muitos personagens em nossa volta, não escapam os filhos, os pais, o chefe, os estagiários - os dois últimos capítulos à parte na comédia da vida corporativa - os porteiros Zé, as empregadas que escondem tudo – mas juram de pés juntos que nunca nem viram o objeto perdido, os manobristas de mãos suadas (o que catzo eles estavam fazendo minutos antes de trazer o carro?!)...
O mais intrigante talvez seja perceber que sempre estaremos em alguma ponta desta expressão. Tá lá, no filme do super-homem, uma sábia e antiga profecia Kryptoniana: “The son becomes the father and the father becomes the son.”
Sim, até no caso do porteiro, da faxineira, da empregada e nos outros milhares de exemplos não citados dos quais você tentou tirar o corpo fora. Em todos os casos a gente se sente compelido a responder a criatura, a se questionar tentando entender a situação ou tentando ainda, fazer com que entendam a simplicidade da coisa que acaba tomando proporções maiores. Se a gente não discute, a conversa sem pé nem cabeça não se alastra. Por que temos isso em nossa natureza?
Outra coisa curiosa e recorrente neste tema porque somos iguais aos nossos pais? Não idênticos, mas acabamos pegando aquelas manias que a gente costumava tirar sarro como perder as chaves, esquecer os óculos, usar roupas desengonçadas porque são mais confortáveis... Eu tive a oportunidade de trabalhar tanto com meu pai quanto com a minha mãe e é fato, parentesco é que nem pólvora. Pude comprovar o que já observava entre sócios-irmãos (alguns ex-chefinhos...) os ânimos vão de zero a cem, a língua perde as travas e todos os outros em volta morrem de vergonha e constrangimento, mas sabem que em questão de horas tudo estará nos eixos novamente.
Pensando no Buda (ommmmmmmmm), tentei ver o lado positivo das coisas – é um exercício que tenho feito no último ano, parecia ótimo de início e muito cretino após um curto espaço de tempo, até que eu peguei a veia humorística da coisa. Tudo tem sim um lado positivo, mesmo que ele seja tragicômico. - Passei a reparar nas críticas trocadas, nos comportamentos ida-e-vinda e percebi uma grande fonte de autoconhecimento. Funciona como um espelho, do que mais te acusam, têm mais receio de ser acusados e no que você mais mete o pau é o que tem medo de fazer com os outros sem perceber. Tenha coragem de se perguntar se você tem uma característica familiar que abomina de verdade, tipo espelho espelho meu... Pode ser muito revelador. Já que você vai ser um dos lados da equação, que seja o mais simplificado, com menos incógnitas, sem raízes a extrair, seja a hipotenusa e vá na diagonal direto ao ponto... (Mas sem rodeios, porque aí tem que calcular o pi, com quatro casas depois da vírgula!)
Pense no provérbio alien, afinal se depois de viajar anos luz ele foi imortalizado pelo cinema, dele valer de alguma coisa:
"You will be different, sometimes you'll feel like an outcast, but you'll never be alone. You will make my strength your own. You will see my life through your eyes, as your life will be seen through mine. The son becomes the father and the father becomes the son."
O mais intrigante talvez seja perceber que sempre estaremos em alguma ponta desta expressão. Tá lá, no filme do super-homem, uma sábia e antiga profecia Kryptoniana: “The son becomes the father and the father becomes the son.”
Sim, até no caso do porteiro, da faxineira, da empregada e nos outros milhares de exemplos não citados dos quais você tentou tirar o corpo fora. Em todos os casos a gente se sente compelido a responder a criatura, a se questionar tentando entender a situação ou tentando ainda, fazer com que entendam a simplicidade da coisa que acaba tomando proporções maiores. Se a gente não discute, a conversa sem pé nem cabeça não se alastra. Por que temos isso em nossa natureza?
Outra coisa curiosa e recorrente neste tema porque somos iguais aos nossos pais? Não idênticos, mas acabamos pegando aquelas manias que a gente costumava tirar sarro como perder as chaves, esquecer os óculos, usar roupas desengonçadas porque são mais confortáveis... Eu tive a oportunidade de trabalhar tanto com meu pai quanto com a minha mãe e é fato, parentesco é que nem pólvora. Pude comprovar o que já observava entre sócios-irmãos (alguns ex-chefinhos...) os ânimos vão de zero a cem, a língua perde as travas e todos os outros em volta morrem de vergonha e constrangimento, mas sabem que em questão de horas tudo estará nos eixos novamente.
Pensando no Buda (ommmmmmmmm), tentei ver o lado positivo das coisas – é um exercício que tenho feito no último ano, parecia ótimo de início e muito cretino após um curto espaço de tempo, até que eu peguei a veia humorística da coisa. Tudo tem sim um lado positivo, mesmo que ele seja tragicômico. - Passei a reparar nas críticas trocadas, nos comportamentos ida-e-vinda e percebi uma grande fonte de autoconhecimento. Funciona como um espelho, do que mais te acusam, têm mais receio de ser acusados e no que você mais mete o pau é o que tem medo de fazer com os outros sem perceber. Tenha coragem de se perguntar se você tem uma característica familiar que abomina de verdade, tipo espelho espelho meu... Pode ser muito revelador. Já que você vai ser um dos lados da equação, que seja o mais simplificado, com menos incógnitas, sem raízes a extrair, seja a hipotenusa e vá na diagonal direto ao ponto... (Mas sem rodeios, porque aí tem que calcular o pi, com quatro casas depois da vírgula!)
Pense no provérbio alien, afinal se depois de viajar anos luz ele foi imortalizado pelo cinema, dele valer de alguma coisa:
"You will be different, sometimes you'll feel like an outcast, but you'll never be alone. You will make my strength your own. You will see my life through your eyes, as your life will be seen through mine. The son becomes the father and the father becomes the son."
12 de dez. de 2007
Sociedade Descartável
Para acompanhar a velocidade das coisas tudo agora tem que ser portátil, ecológico, tecnológico e não poluente – o que não deixa de ser contraditório, mas enfim, moda é moda. O mesmo vale para os relacionamentos entre as pessoas, semana passada conheci um cara que entrou no embalo e me tratou como bem de consumo. Um amigo ainda perguntou: “Durável ou não-durável?” Descartável! O típico “Nice shoes, wanna fuck?” Não? Uéééé, Por que você está perdendo seu precioso e escasso comodity aqui comigo? Não rolam mais drinks como antigamente...
Celular quase não tem vida últil, computador quase não tem vida útil, câmera quase não tem vida útil... a utilidade deles é fazer a gente renovar as parcelas assim que acaba porque já estão obsoletos. Tudo é muito imediato e frio, não sem tem mais caligrafia é tudo obra da impressora, que não encarou horas de lição de casa desenhando aquelas letras maiúsculas chatas entre as linhas paralelas do caderninho de capa dura. Agora a gente só gasta a letra em post-its - que é o único papel bem aceito pelos moderninhos, afinal agenda é uma coisa arcaica. (que eu adoro... e não vivo sem. Me amarro em lápis, lápis de cor, giz de cera... Pô, a vida pode ser muito mais alegre do que meia dúzia de grifa textos).
Outra coisa contemporânea que me embrulha as entranhas: não dá pra colar post-its na tela do note!!! Toda vez que eu tenho que ligar pro motoboy, pro delivery da padaria ou para aquela cliente chata que pede 12 retornos todo santo dia, sinto um aperto de saudade dos meus post-its verdinhos, rosinhas e amarelinhos. Era uma vida feliz que eu levava com os post-its em várias vias, que nem documentos protocolados. Ou então em cascatas, um em cima do outro... Tão coloridinho, tão alegre... Agora com essa tecnologia móvel, que abre e fecha... Onde é que eu vou colar os pecorruchos?Ainda por cima, arrumei mais uma coisa para me esquecer: a bateria. A praticidade tem seus custos... O note é ótemo, mas levar os fiozinhos... Não tem wireless de bateria não???
Celular quase não tem vida últil, computador quase não tem vida útil, câmera quase não tem vida útil... a utilidade deles é fazer a gente renovar as parcelas assim que acaba porque já estão obsoletos. Tudo é muito imediato e frio, não sem tem mais caligrafia é tudo obra da impressora, que não encarou horas de lição de casa desenhando aquelas letras maiúsculas chatas entre as linhas paralelas do caderninho de capa dura. Agora a gente só gasta a letra em post-its - que é o único papel bem aceito pelos moderninhos, afinal agenda é uma coisa arcaica. (que eu adoro... e não vivo sem. Me amarro em lápis, lápis de cor, giz de cera... Pô, a vida pode ser muito mais alegre do que meia dúzia de grifa textos).
Outra coisa contemporânea que me embrulha as entranhas: não dá pra colar post-its na tela do note!!! Toda vez que eu tenho que ligar pro motoboy, pro delivery da padaria ou para aquela cliente chata que pede 12 retornos todo santo dia, sinto um aperto de saudade dos meus post-its verdinhos, rosinhas e amarelinhos. Era uma vida feliz que eu levava com os post-its em várias vias, que nem documentos protocolados. Ou então em cascatas, um em cima do outro... Tão coloridinho, tão alegre... Agora com essa tecnologia móvel, que abre e fecha... Onde é que eu vou colar os pecorruchos?Ainda por cima, arrumei mais uma coisa para me esquecer: a bateria. A praticidade tem seus custos... O note é ótemo, mas levar os fiozinhos... Não tem wireless de bateria não???
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