Ao chegar afobada em uma reunião comentei que estava me sentidno o coelho do livro de Lewis Carrol, o coelhinho branco de olhos cor-de-rosa que está sempre atrasado. Ouvi em resposta: “Sabe que realmente combina com você?!” Não entendi de pronto se isso era bom ou ruim, mas vá lá... a idéia brilhante de fazer a comparação foi minha.
Saindo desta reunião que já era a segunda do dia antes do meio-dia em véspera de feriado consegui encaixar um cafezinho com uma amiga que não encontrava pessoalmente há meses. Sim porque Messenger é ao vivo, mas não é a mesma coisa. Quer ver? Em 15 minutos a gente conseguiu extrair o máximo que duas mulheres ativas do século XXI são capazes: toamamos dois cafezihos – nespresso, claro – atualizamos as novidades (ela me passou o nome de uma acupunturista que faz milagres and I quote:“ela chuta na bunda” – calma isso só quer dizer que ela dá um empurrão, que é pra gente ir pra frente, sair de onde está parada.. e um cutucão não faria isso), também reclamamos dos serviços de informação e culturais mais basais (celular e tv à cabo são o que?) e como somos reféns destas empresas provedoras sem-vergonha.... Também encontramos tempo para fumar um cigarro atrás da moita porque toda mulher moderna e descolada sabe que fumar está suuuuper out, só se for discretamente atrás de um vaso enoooorme pra ninguém ver. (eu não fumo, mas faço companhia). E, claro, também falamos das angústias estéticas: ela achando que a batata da perna era gorda e eu me sentindo hormonalmente tão inchada como uma escultura de Botero. Gordinha, mas cult. Sempre. Ufa, ainda rolaram mais trocas de assunto, telefones de cabeleireiro, datas de bazares e zum! Casa uma voltou ao seu atarefado mundinho profissional que não daria mais uma folga tão informal e proveitosa para relaxar.
Depois fui almoçar, também no pique paulista, corri pro computador, respondi todos os mails, fiz uma lista de pendências que me libertariam para finalmente entrar no feriadão. E eis que já passou das 19h, sexta-feira e eu ainda estou aqui... Esperando um retorno para poder tomar meu rumo no trânsito. O que me leva a pensar se não somos todos coelhinhos... Todos que moramos em cidades imensas e caóticas e que, contudo, não viveríamos sem.
Passar dias sem pegar trânsito, sem pegar fila, sem ver aglomerações, sem xingar com gosto um motoboy, um motorista de táxi e um de ônibus, sem cobiçar – e não necessariamente comer – um delicioso e calórico pastel de feira ou um pãozinho na chapa dourado de manteiga – aquela COM colesterol... Efetivamente ir ao teatro, ao cinema ou a uma exposição decente. Não chegar atrasado na terapia, variar o cardápio do final de semana porque pizza delivery não é tão boa quanto na pizzaria, acertar a roupa porque, afinal, o clima pode ser previsto... Ligar para um serviço de 0800 que seja mesmo gratuito e não intitulado “capitais e regiões metropolitanas”...
Ah... isso pra paulistano “é férias”!
Nós somos todos coelhos que não saberiam viver sem a sensação de estar caindo cada vez mais fundo nessa toca e olhando no relógio sem ver, mas com a certeza de que não vai dar tempo!
Mas coelhos modernos, pq o que é o celular se não um outro relógio pra gente carregar??? E com várias musiquinhas para alertar de maneira diferente que não vamos chegar a tempo!
17 de abr. de 2009
Para baixo na toca do coelho
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS LEWIS CAROLLCapítulo 1
Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não havia figuras ou diálogos nele e “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?”
Então, ela pensava consigo mesma (tão bem quanto era possível naquele dia quente que a deixava sonolenta e estúpida) se o prazer de fazer um colar de margaridas era mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas, quando subitamente um Coelho Branco com olhos cor-de-rosa passou correndo perto dela.
Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!” (quando ela pensou nisso depois, ocorreu-lhe que deveria ter achado estranho, mas na hora tudo parecia muito natural); mas, quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se a seguir, Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca.
No mesmo instante, Alice entrou atrás dele, sem pensar como faria para sair dali.
A toca do coelho dava diretamente em um túnel, e então aprofundava-se repentinamente. Tão repentinamente que Alice não teve um momento sequer para pensar antes de já se encontrar caindo no que parecia ser bastante fundo.
8 de jan. de 2009
Antiácido sabor abacaxi
Estava eu lendo o Estadão hoje de manhã quando fui brindada com o comentário da minha secretária doméstica sobre uma notinha de capa:
"- Ué?! Como é que o Lula tem azia ao ler? Por acaso ele come os jornais e as revistas? Será?!..............."
Sem dúvidas, um presidente do povo, com o povo e para o povo.
"- Ué?! Como é que o Lula tem azia ao ler? Por acaso ele come os jornais e as revistas? Será?!..............."
Sem dúvidas, um presidente do povo, com o povo e para o povo.
7 de nov. de 2008
17 de jul. de 2008
Whitebottom, e agora?
Um conjunto para ser um conjunto tem que seguir algumas regrinhas. A gente aprende isso desde cedo, quando a professora falar que os elementos pertencentes ficam boiando dentro de uma linha que fica entre uma ameba ou um – pra quem é dessa época – um membro da família Barbapapa. A sábia professorinha também costumava confinar os tais elementos entre duas chaves. Enfim, numerais assim soltos no nada não contavam como conjunto. Se você nunca foi bom de matemática ou não tem uma memória prodigiosa, há um exemplo mais simples e mais cruel: o amiguinho que ficava sentado com a lancheirinha brega e a pior das merendas no canto, sem companhia, de óculos fundo de garrafa e aquele aparelho que mais parecia uma tortura medieval. Um pequeno indivíduo como esse não fazia parte do conjunto...
(Aos curiosos e desmemoriados: mami e papi Barbapapas)

A gente cresce e vê que as regras matemáticas também se aplicam às sociais. Todos precisam encontrar seus pares. Note que os numerais (femininos) ímpares ficam sobrando após os 30.... A conta simplesmente não bate. O que confere ao mercado uma boa renda em filmes, cosméticos, drinks da moda, regimes mirabolantes e tudo quanto é alternativa ao malfadado almoço com as tias no final de semana.
Com tanta atividade hoje as tais regras são muitas: é dress code, é linguagem fast forward para MSN, vocabulário correto para se dirigir a idosos e a negros, etiqueta (vc pensa que ser chic é fácil?), inteligência emocional e jogo de cintura by the book para não se degladiar e nos pequenos corners dos offices.... (deixando de fora toda a tormenta do manual de como discutir a relação com elegância, isso vale outro texto)
Com tanta atividade hoje as tais regras são muitas: é dress code, é linguagem fast forward para MSN, vocabulário correto para se dirigir a idosos e a negros, etiqueta (vc pensa que ser chic é fácil?), inteligência emocional e jogo de cintura by the book para não se degladiar e nos pequenos corners dos offices.... (deixando de fora toda a tormenta do manual de como discutir a relação com elegância, isso vale outro texto)
Bem, eu queria saber do meu mais novo ídolo, o Mr. Whitebottom, uma fina criatura que assina uma coluna de bons modos para a Piauí - não precisa ter preguiça que são várias dicas curtas, dá tranqüilamente pra ler uma ou outra sem cansar e ainda dar pinta de intelectual com aquele calhamaço colorido nas mãos – como é o amantes code. Mulher do chefe pode tudo? Vale mais se for a oficial ou a outra?
= Para que compreendam a maestria nos conselhos do guru Whitebottom, ele sugere que para colocar pacificamente um triângulo em uma mesma mesa de convivas civilizados, a anfitriã pode tomar o cuidado de colocar dois homens (fortes) entre marido e mulher e posicionar a amante (ou o amante, sejamos modernos como os tempos urgem) em frente para a tradicional roçadinha. (o que o finérrimo Mr. Whitebottom deixa claro não funcionar em casos de tampos de vidro)
Bom, mas afinal o que fazer com uma mocréia que se acha “a tal” em campo profissional? Como dar o amarelo seguido de um vermelho para a mina que o chefe está pegando??? (sim, pq ninguém tão incompetente poderia ser tão arrogante caso não tivesse as costas quentes - no caso, aquecidas e friccionadas pelo homem que paga o seu salário no final do mês)
Recebi um e-mail incrível, no sentido de inacreditável, em verdade inimaginável, estapafúrdio mesmo, de uma das estagiárias hoje. Ela basicamente ‘queima’ a minha gerente de projeto e diz que eu faço uma direção incompetente da equipe. Assim, sem maiores constrangimentos ou salamaleques. Afirma com veemência que os meus atrasos são injustificáveis (a menina é freelancer e tenta enfadonhamente regular os meus horários à distância.) (Hein?!). Como assim eu não respondo prontamente aos e-mails dela? Será que não vejo que a estou pondo numa situação incômoda de ócio??? A tal mocinha ainda faz questão de me alertar que há uma pessoa ‘entre nós’ que fica ociosa um dia da semana... Minha filha... alowwww vc não tem nem 20 anos, se quer ajuda para gerenciar o seu tempo aí vai um conselho sábio: vá ao cinema no meio da tarde que você ainda pode, em vez de ficar me destemperando com rabugices!!!
Me pergunto o que ela diria ao Criador em pleno domingão, naquela horinha em que, depois da macarronada com porpetas, frango e farofa, ele se deitasse à sombra de uma frondosa árvore recém-criada coçando o barrigão satisfeito uma para curtir sua obra-prima....
Confesso que fiquei na dúvida sobre o comportamento da pupila insubordinada, se era falta de noção ou excesso de coragem. Deve-se ensinar o bê-á-bá a uma criatura imatura e malcriada dessas ou parabenizá-la por estar adentrando a vida adulta com cara de pau de veterana?
Recebi um e-mail incrível, no sentido de inacreditável, em verdade inimaginável, estapafúrdio mesmo, de uma das estagiárias hoje. Ela basicamente ‘queima’ a minha gerente de projeto e diz que eu faço uma direção incompetente da equipe. Assim, sem maiores constrangimentos ou salamaleques. Afirma com veemência que os meus atrasos são injustificáveis (a menina é freelancer e tenta enfadonhamente regular os meus horários à distância.) (Hein?!). Como assim eu não respondo prontamente aos e-mails dela? Será que não vejo que a estou pondo numa situação incômoda de ócio??? A tal mocinha ainda faz questão de me alertar que há uma pessoa ‘entre nós’ que fica ociosa um dia da semana... Minha filha... alowwww vc não tem nem 20 anos, se quer ajuda para gerenciar o seu tempo aí vai um conselho sábio: vá ao cinema no meio da tarde que você ainda pode, em vez de ficar me destemperando com rabugices!!!
Me pergunto o que ela diria ao Criador em pleno domingão, naquela horinha em que, depois da macarronada com porpetas, frango e farofa, ele se deitasse à sombra de uma frondosa árvore recém-criada coçando o barrigão satisfeito uma para curtir sua obra-prima....
Confesso que fiquei na dúvida sobre o comportamento da pupila insubordinada, se era falta de noção ou excesso de coragem. Deve-se ensinar o bê-á-bá a uma criatura imatura e malcriada dessas ou parabenizá-la por estar adentrando a vida adulta com cara de pau de veterana?
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