3 de abr. de 2008

Dani Expo




Desde pequena, quando eu pegava o giz de cera para desenhar lindos arco-íris nas paredes de casa, mamãe já sabia que eu seria uma artista, um talento nato. Enfim conquistei outras paredes que não a de casa, e com algo mais bem-humorado do que o infame arco-íris e as nuvenzinhas de chapéu de festa. (eu não era um mimo?)

Enfim, o Tico da BOBSTORE tinha lido algumas destas coluninhas aqui e me encomendou um texto sobre sua marca masculina que estava para sair do forno, a Los Dos – justamente sobre o lado anjo e o lado diabo do homem. Falar sobre a dualidade masculina para uma balzaca solteira e serelepe como eu é um prato cheio, né? Para a minha completa felicidade ele adorou e colocou estampado em anúncios, na sala dele e no provador da loja em Moema! (que por sinal inaugurou ontem, com convite intrigante: quem disse que o Diabo veste Prada é porque não conhece a LOS DOS.

Esse parceiro é tão incrível que não veste a camisa (que por sinal, agora é dele mesmo), mas veste a parede!!!




Segue a obra-prima na íntegra:

Existem dois tipos de homens: os apaixonados e os apaixonantes. Os primeiros são aqueles que os irmãos e primos indicam enquanto os segundos são eles próprios fora do ambiente familiar. Os apaixonados são os genros ideais, os maridos ideais os pais ideais. Os apaixonantes são de matar as amigas (e os amigos) de inveja, são safados no bom e no mau sentidos e não vão se casar nunca. O que separa estes dois indivíduos tão diferentes? Um bocado de experiências e uma pitada de tempo. Eles são dois lados de uma mesma moeda.


A maior arma masculina é essa alma repartida. A dualidade que reside em todos e em cada um deles mesclando com maestria suas porções anjo e diabo. Esta convivência é incompreensível a elas e, portanto, afrodisíaca. Nada é mais doce que submeter um sedutor; nada é mais quente do que braços protetores. E nada, mas nada mesmo é mais irresistível do que a possibilidade de transformar, afinal, elas nunca estão satisfeitas com o que têm. Um homem é uma tela em branco onde as mulheres querem pintar e bordar, e vice-versa.


Em sua porção ‘querubim’ têm sabor de ‘quero mais’: o sexo dos anjos é feito com amor e carinho. Estes homens abrem a porta do carro, mandam flores e convidam para jantares românticos. Eles não mentem (ou pelo menos o fazem raramente e com muita discrição...) e o look deles é caprichado, mas pensado para não ofuscar o delas.


Em sua faceta endemoniada exalam luxúria e fazem sexo vigoroso com carícias e volúpia. Acreditam na independência feminina: não abrem a porta do carro para que seu inebriante perfume fique mais concentrado e as abale (isto é: garanta o abate) já de saída, freqüentam lugares da moda onde podem ver e ser vistos e raramente ligam no dia seguinte. (Na semana seguinte, quem sabe...) Estes homens são irremediavelmente charmosos e estilosos dos pés à ponta dos cabelos.


O que seduz uma mulher? Pelo que ela quer se deixar conquistar? O homem correto é o certo... ou o errado? Ou talvez... “Los Dos?”



27 de mar. de 2008

Memória Curta, Passarela Longa


Estou recolhendo opiniões a cerca da pergunta: Por que os assessores de famosos (ou “wannabes”) são tão escrotos? É quase tão recorrente e tão curiosa quanto porque as mulheres vão juntas ao banheiro? Ou , porque os homens tem fascínio por esporte? (eu conheço uma boa parte da população paulistana que assiste qualquer tipo de jogo de qualquer time e de qualquer nacionalidade sempre que encontra o controle remoto indefeso e a poltrona defronte a TV vazia.)

Mas voltando aos quase famosos, ao assessores groupies. Se isso nunca aconteceu com você, certamente já ouviu alguma historinha bem infame das bibas bookers em agência de modelos, das assessoras de imprensas de globais, das primas, tios e irmãos empresários de BBBs, dos familiares de alguém que saiu na Caras na semana passada, ou quem sabe da manicure que atende a irmã da figurinista da novela das 8. O que se passa na cabeça destas pessoas? Estamos todos tentando fazer nosso trabalho, e o pessoal acha que é mais importante do que a figura – quase sempre nem tão importante assim – que eles acham que representam.


Eu estava com uma página de pauta sobre uma modelo que estampa algumas páginas de um editorial de inverno. Uma página sem ser editorial, sem vender nadinha de nada a não ser a imagem da ditocuja. Só mesmo para a falar da vida da beldade. Ué, Se fala tanto que modelo não tem conteúdo... poxa, era uma boa oportunidade para que a jovem fizesse uma narrativa muito fashion sobre antropologia cool, a zoologia dos tecidos, ou quem sabe de quantas hipotenusas se compõe um salto vírgula. Enfim, recebi da simpaticíssima booker “Silvinha” – essas pessoas nunca têm nomes convencionais com Paula, Lúcia, João ou Roberto, mas Beto, Kalú, Malú ou Pixú – um completíssimo “release” de quatro linhas e uma meia dúzia de marcas nacionais e internacionais elencadas. Dentre elas, umas quatro ou cinco eram a vougue em todas as suas facetas: RG, Brasil, jóias, se tivesse agenda brinde de final de ano da Vougue estaria lá na lista também. (isso me faz pensar que um santinho de fashion week pode ser um ultra nicho de mercado, ia voar pena pra ver quem era musa, “nossa sra cheia de graça” da vez.atrás, o manequim, cor dos olhos, peso, altura e nome bizarro e telefone do(a) booker metidinho do mundinho)
Enfim, essa era a vida da menina, quatro linhas. Quatro anos em quatro linhas, isso é que é carreira concisa. Milão, Paris, NY, Louis Vuiton, Cloé e Balenciaga. Pra que lembrar mais, né?


13 de mar. de 2008

Tempo sem fome ou fome sem tempo?

Eu sou uma contadora de histórias, para mim, a objetividade dá voltas em torno dos fatos até encontrar o melhor caminho. A leitura deve carregar as pessoas, cativar olhos ávidos e não apenas fornecer dados que os satisfaçam rapidamente. A atenção deve ser exigente e gulosa, não se entregar a pratos rápidos, sem calorias e sem sabor.

É aí onde encontro o foco do dilema que enfrento, da luta que travo contra o tempo. Como jornalista não posso me dar ao luxo de contar todos os detalhes que não cabem nos caracteres determinados, não posso degustar e depois avaliar o retro gosto das linhas.

Aprecio e invejo os objetivos, que não deixam a imaginação atropelar a eficiência. Mas me sinto só neste grupo de enroladores, de divagadores, navegadores de um mar sem porto.
Quanto mais maremotos melhor!


obs.: Esse mesmo tempo também não tem deixado que eu alimente o blog para que ele cresça esbelto e sadio.

18 de fev. de 2008

Infiel

Quem trai mais, o homem ou a mulher?
As porcentagens antes muito distintas estão se aproximando. O resultado de uma pesquisa com 1279 pessoas feita pela antropóloga Mirian Goldberg reunidas no livro Infiel de 2004, dizem que 60% dos homens trai, enquanto que 47% das mulheres o fazem. Será que eles sempre fizeram e simplesmente não contavam? Com mais independência a mulherada não precisa mais se esconder e nem se envergonhar???

A peça Trair e Coçar... está em cartaz há 21 anos (a peça de Marcos Caruso entrou para o livro dos recordes pelo feito!) As novelas, livros e filmes não se cansam de retratar o tema... Não custava revisitar: Post sobre traição e infidelidade no que se dani...


Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija! "

14 de fev. de 2008

Folia – lado b

Festa, evento, show... O que é o Carnaval atualmente? Sim, porque é muito mais do que uma manifestação popular de música e dança, muito mais do que foliões fantasiados cantando e jogando serpentinas – aliás, a serpentina já é mais famosa por ser o tubo condutor que gela o chope e o confeti por ser um doce colorido com chocolate. De festa popular a espetáculo empresariado. Será que estamos privatizando o feriado ou globalizando sua estrutura para melhor atender aos conglomerados do entretenimento?

Posso estar exagerando, mas a amostra que vi pela TV este ano foi chocante. Alas e mais alas coreografadas, lindo, simplesmente lindo, mas de uma espontaneidade zero. As pessoas cantavam o samba em meio ao um-dois-três-e-quatro, cinco-seis-sete-e-oito... Outra coisa que chamou atenção foi a diferença feita pelo televisionamento entre RIO e SP, além de dar para ver essa diferença de propostas - em SP, um carnaval de avenida mostrado como menos evoluído, os integrantes brincavam e pulavam livremente - os efeitos especiais, as tomadas, os comentários, tudo leva a apresentação da capital carioca a propagar o que já acontece no universo das novelas.

Não vai surgir um carnaval minissérie? Estou à espera.

Enquanto isso fica que nem Tostines: aparece mais porque tem mais celebridade ou tem mais celebridade porque aparece mais?

Manifestações populares são coloridas e alegres em todos os lugares e seus defeitos e qualidades podem sim ser ampliados pelas “lentes” de quem vê. As lentes que magnificam os cachês das celebridades instantâneas e invadem a festa dos artistas. Um Carnaval que vende. Cotas de patrocínio, cervejas, revistas, jornais... Nas bancas as mulatas corpulentas, os decotes das atrizes, os deslizes dos cantores e não mais os cds de marchinhas, os colares de flores, a purpurina... a menina vestida de bailarina, o garoto de pirata...

Quem a Ivete vai agarrar este ano? Qual bloco terá mais pegação? Em Salvador se mostra a diversidade: samba, axé, frevo, forró, eletrônica, todos os ritmos misturados conferem ânimo a quem vai atrás do bloco ou atrás do abadá pro camarote, mas desconfigura um pouco a proposta inicial. O pitoresco rende-se ao que atende a maioria. A cultura engole sem mastigar novas referências e se transforma. Tenho um certo receio por ela, que não deixará de existir, mas terá sua alma diluída, digitalizada e distribuída. Que nem confeti...